🔥 Esse Cara Queimou R$41 Milhões em Bitcoin De Propósito e Ninguém Sabe o Porquê
Cinco carteiras criadas no mesmo dia de 2014, um timelock programado para o bloco 950.958 e US$ 8,2 milhões que só um computador quântico poderia resgatar.
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🔥 Esse Cara Queimou R$41 Milhões em Bitcoin De Propósito
Na segunda-feira, 25 de maio, às 10h de Nova York, cinco carteiras de Bitcoin esvaziaram tudo o que tinham.
Enviaram 107 BTC (o equivalente a US$8,2 milhões) direto pro endereço 1111111111111111111114oLvT2. O endereço mais famoso do Bitcoin que não pertence a ninguém.
É um burn address. Um endereço que aceita bitcoin, mas nunca pode gastar porque ninguém possui de fato a sua chave privada.
O analista on-chain Sani, fundador do TimechainIndex.com, foi o primeiro a identificar o evento: “Alguém acabou de transmitir 5 transações totalizando 107 BTC pro burn address do Bitcoin”. Em horas, o post já tinha centenas de milhares de visualizações. A Trezor respondeu com um meme do Elmo em chamas. Adam Back, CEO da Blockstream, chamou de “bounty quântico acidental.”
Ninguém sabe quem fez, e nem o por quê. Mas o que a blockchain revela é suficiente pra montar um caso fascinante.
🕵️ As pistas que a blockchain deixou
Investigar bitcoin é assim: você não descobre quem, mas descobre como. E o “como” aqui é cirúrgico demais pra ser acidente.
As cinco carteiras de origem — 16g5hM..., 1PkWq..., 1Lieq..., 14UNk... e 1Jtpa... compartilham um detalhe revelador: todas foram criadas na mesma data. 10 de abril de 2014. Quando o bitcoin valia cerca de US$442.
Todas ficaram dormentes por mais de uma década. Os satoshis acumulados vieram de exchanges da época: Poloniex e Bitfinex, padrão típico de early adopters. Uma delas chegou a mover parte do saldo pra Kraken cerca de um ano atrás, o que mostra que o dono ainda tinha acesso às chaves.
A carteira com mais histórico processou 551 BTC em 71 transações ao longo de dez anos. Sua contribuição pro burn? Apenas 1,42 BTC, a menor das cinco. A maior transação individual queimou 36,79 BTC (US$2,83 milhões) de uma vez.
Tudo confirmado no mesmo bloco: 950.962. E um detalhe técnico decisivo: todas usaram um timelock para esse mesmo bloco.
Traduzindo: alguém escreveu um script que disse “quando a blockchain chegar nesse bloco, mova tudo automaticamente.”
🕳️ O buraco negro do Bitcoin
O endereço 1111111111111111111114oLvT2 não é uma carteira esquecida. É um endereço construído à mão, diretamente como uma string Base58Check válida, sem nunca ter sido derivado de uma chave privada. Seu Hash160 (a impressão digital criptográfica) é composto inteiramente de zeros: 0000000000000000000000000000000000000000.
Em termos simples: é um endereço que o Bitcoin reconhece como válido, mas que ninguém no universo pode abrir. É como um cofre sem fechadura, você pode jogar coisas dentro, mas não existe chave.
Ele existe desde 2010 e já recebeu mais de 256.000 transações. Antes do burn de segunda, acumulava cerca de 700 BTC. Agora, tem 807 BTC (uns US$62 milhões) que ninguém provavelmente vai tocar.
Historicamente, a maioria dos depósitos nesse endereço tinha razão técnica. O projeto Blockstack (hoje Stacks) usava ele pra registrar namespaces, queimando pequenas quantias de BTC pra gravar estados permanentes na blockchain. Outros enviavam dust transactions como prova de existência.
Mas 107 BTC de uma vez, de carteiras dormentes de 2014 e sem nenhuma razão aparente, é a primeira vez que acontece.
🤔 As teorias, e por que nenhuma se sustenta sozinha
A comunidade no X explodiu em teorias, mas nenhuma com evidência conclusiva.
Erro ou bug de software?
As transações usaram timelock pra um bloco específico, fee rate idêntico, e esvaziaram cinco carteiras simultaneamente. Como Sani resumiu: “Você não comete o mesmo erro 5 vezes.”
Agente de IA mal-configurado?
Circulou bastante, mas sem qualquer evidência on-chain. Trading bots geralmente operam via exchanges, não via UTXO management de carteiras P2PKH de 2014.
Protesto filosófico / statement político?
A mais romântica das hipóteses. Um early adopter que viu o bitcoin ir de US$442 a US$77.000 e decidiu devolver tudo à rede. Uma espécie de doação deflacionária. O problema: quem faz statement geralmente quer ser visto. E até agora, isso não aconteceu.
Proof-of-burn pra lançamento de projeto?
Em 2014, a Counterparty queimou 2.130 BTC pra distribuir seus tokens XCP, a maior queima individual da história do Bitcoin na época. Mas sem nenhum anúncio, contrato ou token, isso é pouco provável.
Herança, morte ou situação extrema?
Carteiras dormentes por uma década podem significar muita coisa. Mas o timelock e a execução programática eliminam o cenário de “alguém morreu e o script rodou.” Scripts de herança enviam pra carteiras de backup, não pra burn addresses.
Publicidade?
O custo-benefício é brutal: US$8,2 milhões pra um mistério que domina o Crypto Twitter por 48 horas. Se é marketing, é o mais caro (e o mais ineficiente) da história.
A verdade é que não sabemos, e talvez nunca saibamos.
⚛️ O bounty quântico acidental
A piada de Adam Back não é só piada.
O endereço 1111...14oLvT2 tem uma propriedade peculiar: como sua chave pública é derivável da sua estrutura (é literalmente zeros), um computador quântico suficientemente poderoso poderia, em teoria, computar a chave privada correspondente e reivindicar os fundos.
Back tem sido vocal em 2026 sobre preparação quântica pro Bitcoin. Em abril, ele defendeu upgrades opcionais pra endereços resistentes a quantum computing, em vez de congelamento forçado de carteiras vulneráveis.
A ironia é que esse burn involuntariamente cria um prêmio para quem quebrar a criptografia do Bitcoin. Os 807 BTC trancados nesse endereço são, simultaneamente, a prova de que a criptografia funciona e o troféu para quem provar que ela não funciona mais.
Hoje, isso é ficção científica. Mas um BIP (Bitcoin Improvement Proposal) recente propôs, justamente, destruir outputs de endereços legados caso seus donos não migrem pra endereços quantum-resistant. O burn de segunda, paradoxalmente, joga do lado oposto: empilha mais moedas na vulnerabilidade.
🧮 Onde 107 BTC se encaixam no grande esquema
O Bitcoin tem um supply fixo de 21 milhões de unidades. Até hoje, cerca de 20 milhões já foram minerados. Mas “minerados” não significa “disponíveis.”
Segundo estimativas da Chainalysis e da River Financial, entre 2,3 e 3,7 milhões de BTC estão permanentemente perdidos: chaves esquecidas, hard drives jogados fora, donos falecidos sem compartilhar acesso. Isso representa entre 11% e 18% do supply total. Somando o ~1 milhão de BTC de Satoshi Nakamoto (intocados desde 2010), o número pode passar de 4 milhões.
Os 107 BTC queimados na segunda são uma fração microscópica desse total. Mas há uma diferença fundamental: a maioria dos BTC “perdidos” está em wallets que podem, teoricamente, ser recuperadas um dia. Basta alguém encontrar a seed phrase correspondente. Os BTC no burn address não, ao menos não sem computação quântica.
Somando todos os burn addresses conhecidos identificados por pesquisadores, o número ultrapassa 3.197 BTC em endereços confirmados. Quase US$250 milhões pelo preço atual.
🪞 O que o burn revela sobre o Bitcoin
No Bitcoin, não existe autoridade pra reverter uma transação. Não tem banco pra ligar, SAC pra reclamar, nem governo pra intervir. Se você tem a chave privada, você faz o que quiser com seus coins. Incluindo destruí-los.
Essa é a mesma propriedade que torna o Bitcoin resistente a censura, confisco e controle estatal. A soberania individual que os bitcoiners celebram é a mesma que permite alguém incinerar US$8 milhões sem pedir licença.
Liberdade absoluta tem custos absolutos.
Fontes: Protos, BeInCrypto, Cybernews, Cryptopolitan, Bitcoin.com, Mempool.space, Chainalysis
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